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Perdão, expectativas e autorresponsabilidade

Chega um novo ano e internamente há uma espécie de despertador que diz: é hora de mudar o jogo. É um momento simbólico de recomeço, de renovação e esperança. E isso é maravilhoso!

 

Temos e sempre teremos questões para mudar, evoluir, e coisas novas que iremos desenvolver. Pouco a pouco nossa consciência vai se expandindo, principalmente quando a nossa intenção é essa.

 

E existe um ponto que todos nós, com maior ou menor intensidade, precisamos mexer, avaliar e realizar de fato para ganharmos mais  leveza mental e espiritual para seguirmos em frente e realizarmos tudo aquilo que nos propusermos: o perdão.

 

Com uma rápida pesquisa na internet sobre o que é perdão, encontramos inúmeros textos e definições, porém, sabemos que apenas saber sobre isso não é o suficiente. Perdão não é algo simplesmente mental ou prático, mas pode ser um pouco mais acessível quando entendemos o processo interno. Perdão vem de per + donare, que significa “para doar”. E para doar, conhecemos bem aquela frase: não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita.

 

Vamos falar sobre expectativas.

 

O sentimento de expectativa acontece quando existe a ausência de realidade, e quando existe uma previsão ou condição favorável para que essa expectativa torne-se realidade. Como assim?

Imagine que você está num relacionamento importante para sua vida, e você faz o SEU máximo para que o relacionamento fique cada vez melhor, através de atos concretos. Vamos supor que você tenha preparado uma festa surpresa para o aniversário dessa querida pessoa. E tudo deu certo, como você queria, exceto pelo fato de a pessoa não ter demonstrado lá grande empolgação com a surpresa e você percebeu até certo incômodo por parte dela. É claro que isso é uma situação constrangedora, e nos mostra que a expectativa era que a festa surpresa fosse super bem recebida pelo aniversariante, e ele reconhecesse. Embora boa parte das condições estivesse favoráveis para que isso acontecesse, ainda não daria para prever, pois não era uma realidade concreta. Esse foi um exemplo bem simples para ilustrar o fato de que colocamos muitas expectativas nas pessoas, coisas e fatos, e esquecemos que essas expectativas estão dentro de nós, e não estão necessariamente no mundo real. Esperamos demais do outro, e jogamos a responsabilidades de nossas frustrações nele e no que está fora de nós, e também esquecemos que o outro tem um sistema de crenças e valores diferentes, por mais que tenhamos afinidades. Vamos usar mais um exemplo.  Imagine que 3 pessoas foram selecionadas para um passeio numa floresta, e que cada um terá que desenvolver um pequeno relatório sobre suas percepções sobre um passeio. Parece simples supor o que essas pessoas poderiam colocar em seus relatórios. Agora imagine que esse pequeno grupo é formado por 3 profissionais de áreas diferentes: uma atriz, um biólogo, e um engenheiro. Por mais que nos 3 relatórios existam pontos parecidos, como seria o resultado final de cada um deles? E como será que cada um deles experimentaria essa experiência?

 

Nossos valores são diferentes, nossas crenças são diferentes, mesmo que em algum ponto sejam parecidos. E sobre isso, é importante que possamos conhecer e entender nossos valores, entender os valores de outras pessoas, para que possamos criar menos expectativas.

 

E o que isso tem a ver com perdão?

 

O perdão só é necessário onde existe julgamento. Se determinado fato aconteceu, e de alguma forma isso nos feriu emocionalmente, existe um  julgamento por trás disso, sobre uma expectativa (nossa) que não foi atendida. Quando nos tornamos mais flexíveis para para aceitarmos que nossas expectativas são apenas nossas, e que talvez nem façam parte do mundo externo à nós, começamos a ficar mais empáticos, com os outros e conosco. Isso facilita o relacionamento humano, e consequente, o perdão. Para doar. Para entender que nem sempre as coisas vão sair da forma que planejamos ou desejamos, e que o outro e apenas um ser humano, assim como nós, que está aprendendo e desejando ser feliz em sua jornada, mas nem sempre vai ter condições de atender às nossas expectativas. Faz sentido?

 

Eu te convido para refletir sobre o assunto: existem pessoas que você deseja perdoar? Existem situações que você precisa perdoar? Como foram suas expectativas sobre essas pessoas e situações? Elas foram atendidas? Existe alguma pessoa que tinha alguma expectativa sobre você, que você não tenha atendido? Como você se sentiu por não ter atendido às expectativas alheias? E sobre a vida: você colocou expectativas demais e elas não foram atendidas? Como você se sente sobre isso?

 

É claro que isso tudo envolve um processo, e cada pessoa tem suas marcas e feridas, muitas vezes profundas demais, de coisas que realmente são fora do comum. E não podemos invalidar uma dor, nenhum tipo de dor.  Nem sempre é tão fácil assim, entender intelectualmente e conseguir absorver e colocar em prática na vida.

 

Por isso, o processo do perdão é um dos elementos essenciais dos trabalhos do Instituto Ariovaldo Ribeiro, através de conteúdos, exercícios, vivências e acompanhamentos que tem sido transformadores na vida das pessoas que se propõe a escrever uma nova história.

 

Isso é apenas o começo.

Perdão também faz parte da autoconfiança. Criar menos expectativas é ser autorresponsável para movimentar e modificar sua realidade, sem jogar esse peso em outras pessoas e circunstâncias.

Se você deseja reconfigurar suas relações e ressignificar os acontecimentos de sua vida, através do autoconhecimento e do perdão, conte comigo! Pode não ser fácil, mas garanto que não é impossível!

Ariovaldo Ribeiro

 

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